quarta-feira, 25 de abril de 2012

ANENCEFALIA - Joanna de Angelis



Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia

domingo, 22 de abril de 2012

“No final, sem a menor dúvida, o amor vencerá”



Juiz de Direito em Campina Grande-PB, o confrade fala
sobre a influência do conhecimento espírita sobre
o aprimoramento das leis do país



Kéops Vasconcelos (foto), natural de Bom Conselho-PE e atualmente residente em Campina Grande-PB, é Juiz de Direito. Espírita desde 1996, vincula-se, no meio espírita, ao NEDE – Núcleo de Estudos da Doutrina Espírita como Diretor Executivo; à AME-CG – Associação Municipal Espírita de Campina Grande-PB como Diretor Adjunto, e à ABRAME – Associação Brasileira de Magistrados Espíritas como Delegado Seccional na Paraíba, além de integrar a Comissão de Acompanhamento Legislativo da Federação Espírita Brasileira.
Na entrevista que nos concedeu, nosso

entrevistado apresenta considerações expressivas sobre o Direito e suas conexões com o Evangelho, com o Espiritismo e com o progresso da Humanidade.
Comente sobre o movimento espírita organizado pela Associação dos Magistrados Espíritas em seu Estado


Desde que assumimos a Delegacia Seccional da ABRAME na Paraíba, em 2005, passamos a organizar palestras de cunho espírita no Fórum de Campina Grande, mensalmente. No início, de forma tímida, com a participação de alguns poucos servidores espíritas, mas hoje sempre com a participação efetiva e destacada de dezenas (e às vezes centenas) de pessoas, entre magistrados, advogados e a comunidade espírita local. Também realizamos em 2010 o I Encontro Regional de Magistrados Espíritas, com o tema "Diálogo Entre Justiça e Sociedade", com enorme aceitação e participação, o que nos motivou a organizar o II Encontro, nos próximos dias 18 e 19 de maio, com o tema central "Justiça em Transição". A finalidade maior é a humanização da Justiça, a partir da espiritualização de seus juízes.


Nacionalmente considerando, como está a expansão e organização dessas atividades?


Em vários Estados, as Delegacias Seccionais da ABRAME vêm também buscando realizar palestras no ambiente forense, a exemplo de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Ao mesmo tempo, também são organizados em alguns locais grupos de estudos da Doutrina Espírita. Hoje, a ABRAME conta com mais de 700 magistrados associados, dentre juízes de Direito, juízes do trabalho, juízes federais, desembargadores e ministros de tribunais superiores. Com a recente fundação da Associação Jurídico-Espírita do Brasil - AJE, congregando diversos outros atores da cena jurídica, como advogados, promotores de justiça, procuradores e delegados, creio que iremos somar esforços no sentido da ampliação das atividades nos Estados, sempre buscando uma maior divulgação da Doutrina no segmento jurídico.


O pensamento espírita atraiu grande número de acadêmicos, nas diferentes áreas. Especificamente na área do Direito, o que mais conquista ou chama atenção nos conteúdos doutrinários espíritas?


Como professor universitário, nunca tive receio de, sempre que oportuno, transmitir aos alunos conceitos ajustados à ética espírita. Como não fazê-lo, nas ocasiões em que se debate em sala de aula acerca da pena de morte, do aborto, da eutanásia, da anencefalia? Sem nenhuma preocupação com o proselitismo, é interessante perceber que ao longo dos anos inúmeros foram os alunos e ex-alunos que, a partir dessas conversas, se interessaram pela Doutrina e passaram a estudar e participar efetivamente do Movimento Espírita. Inúmeros também são os acadêmicos de Direito que têm comparecido ao Fórum para assistir às palestras promovidas pela ABRAME. Considerando que uma das leis morais destacadas em “O Livro dos Espíritos” (capítulo XI) é a lei de justiça, de amor e de caridade, é natural que o pensamento espírita permeie a atividade jurídica, pois a justiça dos homens está irremediavelmente influenciada pela justiça divina, embora ainda imperfeita e ocasionalmente injusta, devido às limitações humanas.


Considera que atualmente o pensamento espírita já influencia a legislação, a atuação e as decisões em julgamentos em nosso país?


Costumo dizer que o magistrado, por ser espírita, não é, só por isso, melhor ou mais justo do que os magistrados não-espíritas. Todavia, quanto mais se conhece e se aprofunda no conhecimento doutrinário, especialmente da lei de causa e efeito, aumenta-nos a responsabilidade em buscarmos ajustar a nossa conduta, inclusive na atividade judicante, às leis morais do Cristo. A própria FEB, sensível à necessidade de aperfeiçoamento das leis brasileiras, acabou de constituir uma Comissão de Acompanhamento Legislativo, a qual tenho a honra de integrar, com a finalidade precípua de acompanhar a tramitação de projetos de lei e de emendas à Constituição que tratem de temas relevantes e que de algum modo possam vir a interferir na nossa elevação espiritual, tais como as que tratam do estatuto do nascituro, do aborto, da pena de morte, da eutanásia, da descriminalização do uso de entorpecentes etc. A intenção é não apenas acompanhar, mas intervir, quando oportuno e necessário, no sentido de aprimorar a elaboração dessas leis ou, se for o caso, evitar que sejam aprovadas e entrem em vigor.


Nos demais países, pelo menos nos mais desenvolvidos, está também havendo progresso na área do Direito, para maior adequação com os princípios do amor apresentados pelo Evangelho?


O mundo está em plena fase de transição, como sabemos. A área do Direito não fica imune a essa perspectiva. O progresso é constante, ainda que tenhamos eventualmente alguns tropeços. Com a chamada globalização, com as comunicações se difundindo em tempo real em todo o planeta, é natural que haja a influência recíproca de valores e culturas. É cada vez menor o número de países que ainda adotam a pena de morte, que admitem a eutanásia, que legalizam o uso de entorpecentes. O que ainda nos preocupa é o crescimento de vozes favoráveis à legalização do aborto, embora também se perceba cada vez mais uma resistência das populações a essa tentativa insana. No final, o amor vencerá, sem a menor dúvida.


No Brasil, o amadurecimento das ideias de justiça já traz reflexos práticos na área jurídica?


Sim, naturalmente. Um exemplo concreto disso é a chamada "lei da ficha limpa", de iniciativa popular, que foi aprovada pelo Congresso Nacional e recentemente declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É uma tendência natural que temos de evoluir, para expurgar da atividade política aqueles que se mostraram corruptos, desonestos, que malversaram o dinheiro público, que usaram do poder político para se locupletarem. É a justiça humana se alinhando cada vez mais com as leis morais evangélicas.


Como estudioso do Espiritismo e formação acadêmica na área do Direito, o que mais lhe chama atenção em toda a grandeza doutrinária-cultural do Espiritismo? O que mais me chama a atenção é a lei de progresso. Essa me parece uma das mais sublimes e consoladoras leis morais. É bastante significativo percebermos quanto essa lei, conjugada à lei de causa e efeito, nos impele sempre para um estágio mais avançado na senda evolutiva. Os que hoje são criminosos amanhã serão inevitavelmente os lidadores das causas cristãs. A literatura espírita está repleta de personagens que outrora agiram com desacerto e que, chamados à consciência pelo arrependimento, pelo remorso, pela expiação e pela reparação dos males, tornaram-se exemplos vivos de progresso moral, a exemplo de Saulo de Tarso, Públio Lentulus e Judas Iscariotes. Esse é também o destino de cada um de nós, cedo ou tarde, a depender apenas do nosso próprio livre-arbítrio.


Que ligação podemos fazer entre Jesus e o Direito?


Jesus, essa alma sublime, nos legou inúmeros exemplos de justiça. Foi o advogado e o conciliador na passagem da mulher adúltera; foi o justo juiz na passagem dos trabalhadores da última hora; foi o legislador magnânimo ao traduzir toda a moral cristã nas sentenças "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" e "fazei aos outros aquilo que gostaríeis que os outros lhes fizessem"; foi o professor seguro quando narrou a parábola do bom samaritano.


Nas especializações do Direito, qual a área que mais se destaca ou se identifica com o atual estágio da humanidade e mesmo com os ensinos do Espiritismo?


Entendo que em todas as áreas do Direito é possível aplicar os ensinos espíritas de forma concreta. Todavia, por terem uma influência mais direta na vida, na liberdade e na paz dos seres humanos, é possível destacar o Direito de Família, o Direito Penal, o Direito das Execuções Penais e o da Infância e Juventude, como sendo as áreas em que mais se pode inspirar nos ensinamentos cristãos em geral. Atualmente, o Direito Ambiental também se revela bastante importante nesse processo de evolução humana, por nos trazer limites à degradação da natureza e, consequentemente, preservando a própria vida humana na Terra. Igualmente relevante é a aplicação do conhecimento espírita nas Varas da Violência Doméstica, naquilo que revela as causas das dissensões familiares. Não se pode deixar de considerar, ainda, a enorme importância que o Direito Internacional Público pode exercer na pacificação entre os povos e na democratização das relações entre os Estados.


Algo mais que gostaria de acrescentar?


Agradeço imensamente pela cortesia de nos abrir esse espaço rico de divulgação da Doutrina Espírita. A busca constante pelo aperfeiçoamento moral, especialmente no exercício da magistratura, é o que tem movido as nossas ações. A atividade de julgar os atos dos nossos semelhantes é árdua e complexa, mas com boa vontade e, sobretudo, com disposição para enfrentar cada processo, cada desafio, com vistas à máxima aproximação com a Justiça Divina, deve ser o móvel de nossa conduta profissional, pois a quem mais é dado mais será cobrado. Focado nessa consciência, é possível cumprir a tarefa que nos foi atribuída, reparando, por certo, equívocos e quedas ocorridos no passado espiritual.

sábado, 21 de abril de 2012

O Tiradentes e seus derradeiros momentos




Hoje, 21 de abril, dia em que foi executado Tiradentes, é feriado nacional e, portanto, uma boa oportunidade para dizer alguma coisa sobre aquele que é considerado mártir da Inconfidência Mineira e patrono cívico do Brasil.
Joaquim José da Silva Xavier, seu nome verdadeiro, nasceu em 1746 e morreu em 21 de abril de 1792, quando contava 45 anos de idade. Dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político, ele atuou no Brasil colonial, mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi assim renomeada em sua homenagem.
No livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, seu autor descreve os fatos que se deram a partir do momento em que os inconfidentes ouviram a sentença de sua condenação, incluindo o episódio da morte e da desencarnação de Tiradentes, que adiante reproduzimos:

“Os historiadores falam do grande pavor daqueles onze homens que se ajuntavam, andrajosos e desesperados, na sala do Oratório, para ouvirem a sentença da sua condenação, após três longos anos de separação, em que haviam ficado incomunicáveis nos diversos presídios da época. A leitura da peça condenatória, pelo Desembargador Francisco Alves da Rocha, levou quase duas horas. Depois de conhecerem os seus termos, os infelizes conjurados passaram às mais dolorosas e recíprocas recriminações.
Os mais tristes quadros de fraqueza moral se patenteavam naqueles corações desiludidos e desamparados; mas, no dia seguinte, a dura sentença era modificada. D. Maria I havia comutado anteriormente as penas de morte em perpétuo degredo nas desoladas regiões africanas, com exceção do Tiradentes, que teria de morrer na forca, conservando-se o cadáver insepulto e esquartejado, para escarmento de quantos urdissem novas traições à coroa portuguesa.
O mártir da inconfidência, depois de haver apreciado, angustiadamente, a defecção dos companheiros, reveste-se de supremo heroísmo. Seu coração sente uma alegria sincera pela expiação cruel que somente a ele fora reservada, já que seus irmãos de ideal continuariam na posse do sagrado tesouro da vida. As falanges de Ismael lhe cercam a alma leal e forte, inundando-a de santas consolações.
Tiradentes entrega o espírito a Deus, nos suplícios da forca, a 21 de abril de 1792. Um arrepio de aflitiva ansiedade percorre a multidão, no instante em que o seu corpo balança, pendente das traves do cadafalso, no Campo da Lampadosa. Mas, nesse momento, Ismael recebia em seus braços carinhosos e fraternais a alma edificada do mártir.
— Irmão querido — exclama ele — resgatas hoje os delitos cruéis que cometeste quando te ocupavas do nefando mister de inquisidor, nos tempos passados. Redimiste o pretérito obscuro e criminoso, com as lágrimas do teu sacrifício em favor da Pátria do Evangelho de Jesus. Passarás a ser um símbolo para a posteridade, com o teu heroísmo resignado nos sofrimentos purificadores. Qual novo gênio surges, para espargir bênçãos sobre a terra do Cruzeiro, em todos os séculos do seu futuro. Regozija-te no Senhor pelo desfecho dos teus sonhos de liberdade, porque cada um será justiçado de acordo com as suas obras. Se o Brasil se aproxima da sua maioridade como nação, ao influxo do amor divino, será o próprio Portugal quem virá trazer, até ele, todos os elementos da sua emancipação política, sem o êxito incerto das revoluções feitas à custa do sangue fraterno, para multiplicar os órfãos e as viúvas na face sombria da Terra...
Um sulco luminoso desenhou-se nos espaços, à passagem das gloriosas entidades que vieram acompanhar o espírito iluminado do mártir, que não chegou a contemplar o hediondo espetáculo do esquartejamento.
Daí a alguns dias, a piedosa rainha portuguesa enlouquecia, ferida de morte na sua consciência pelos remorsos pungentes que a dilaceravam e, consoante as profecias de Ismael, daí a alguns anos era o próprio Portugal que vinha trazer, com D. João VI, a independência do Brasil, sem o êxito incerto das revoluções fratricidas, cujos resultados invariáveis são sempre a multiplicação dos sofrimentos das criaturas, dilaceradas pelas provações e pelas dores, entre as pesadas sombras da vida terrestre.”

quarta-feira, 11 de abril de 2012





FILME ÁREA Q - filme Espírita co-produzido pela Fundação Espírita André Luiz - estréia dia 13/04/2012
Área Q - Revolução no cinema brasileiro

Prezados amigos:


Conforme todos os espíritas sabem, a divulgação da doutrina chegou às telas dos cinemas, focando o grande público, e tem feito bastante sucesso, desde o primeiro filme, “Bezerra Menezes”, seguido depois pelo “Chico Xavier”, “Nosso Lar”, “As mães do Chico” e o “Filme dos Espíritos”. E vem mais dois filmes aí, um feito pelo Oceano Vieira e outro pelo nosso amigo Paulo Figueiredo.O resultado desta divulgação tem sido impressionante, pois que muita gente tem buscado as obras espíritas, procurando saber mais sobre o Espiritismo, pela importância e a elegância como a mensagem tem sido mostrada, através desse meio de divulgação tão interessante, que é o cinema.
Mas isto não aconteceu por acaso. Teve um pioneiro, um audacioso e, na linguagem de alguns até mesmo um
“maluco” que, por conta própria, resolveu tomar a iniciativa de investir na idéia, arregaçar as mangas e, com ou sem ajuda, partir para a luta.

Tania Khalil e Murilo Rosa

Esse cidadão chama-se Luiz Eduardo Granjeiro Girão, é de Fortaleza, no Ceará, um empresário que não teve medo nem vergonha de vincular o nome das suas empresas à divulgação do Espiritismo, e, por conta disto, não sofreu boicote nenhum a nenhuma das suas empresas, que atua em atividades distintas e até, muito pelo contrário, o seu complexo empresarial cresce cada vez mais e faz cada vez mais sucesso pela sua eficiência.Eu tive a honra de ser o elemento que apresentou Luiz Eduardo para o movimento espírita, em 2001, através do meu programa Espiritismo via Satélite que, no início daquele ano, chegou a ser apoiado por ele.
O que é importante que todos saibam é que os filmes
“Chico Xavier” e “Nosso Lar” só saíram, depois que perceberam que filme espírita dá bilheteria e, conseqüentemente, “dá dinheiro”. Não está errado isto não, o mercado tem que se orientar pelo mercado mesmo. Alguns vêm dizendo isto, o tempo todo, que a doutrina precisa ser levada ao grande público pelos meios de comunicação de massa mas, infelizmente, a praga da “humildade” de fachada não tem permitido que esses sejam ouvidos. Apoiado ou não, Luiz Eduardo foi em frente, focou no seu ideal e está aí o resultado.
Agora ele, com sua valiosa equipe da Estação da Luz,volta a fazer novo filme que, a meu ver, será simplesmente revolucionário.
Área Q – Simplesmente maravilhoso



Luiz Eduardo (foto ao lado) mandou o Fernando Lobo, da sua equipe, vir à minha casa para mostrar-me o filme Area Q, em absoluta primeira mão, e eu, sinceramente, não estava nem acreditando no que estava vendo, pois, parecia produção hollywoodiana, não apenas pela presença de atores americanos, mas pelo nível de produção, tanto do ponto de vista técnico quanto artístico.
Este filme estará sendo lançado no cinema, nas principais capitais brasileiras, no dia 13 de abril e eu quero sugerir aos amigos que lotem os cinemas, porque vai valer a pena. Ao mesmo tempo, peço que o divulguem, também, nos centros espíritas e locais onde freqüenta.
Não é um filme rotulado espírita, não é filme de apelo doutrinário, é filme que certamente vai ter uma boa aceitação pelo grande público e sugiro, também, que convidem, sem receios, os seus amigos não espíritas porque, com certeza, ele vai ser interessante pra todo mundo, independente de rotulação religiosa.
Além do consagrado ator americano Isaiah Washington o filme trás também o Murilo Rosa e a Tania Kalil, atores globais que também são sucessos no cinema brasileiro.
Não vou entrar nos detalhes de como é o filme, porque ele tem o seu site onde você pode ver tudo, inclusive o elenco e eu sugiro que dê uma olhada lá.

É demais, gente. Um verdadeiro show do cinema brasileiro que, certamente, será também sucesso mundial.
Abração

Trailer Oficial estréia nos cinemas 13.04.2012

Murilo Rosa fala sobre o filme Área Q

Pedimos que nos ajudem a divulgar, orientar o publico nas cidades em que o filme não estreia na primeira semana, pois o número de cópias é inferior aos filmes anteriores, devido ao baixo custo do projeto.
Repassem o material aos colaboradores das Casas espíritas , incentivando a procurar os exibidores , caso a cidade não receba o filme na primeira semana.
Essa ação é fundamental para aumentar o interesse dos exibidores, que agora já sabem da importânciae do sucesso dessa temática no cinema. O público espírita/espiritualistas e simpatizantes, desejam aliar o entretenimento com uma mensagem edificante, ampliando o alcance dessa mensagem , elevando o nível de consciências em relação a espiritualidade ao maior número de pessoas.
O poster e o trailer do AREA Q já estão nas redes de cinema Cinemark, Box Cinemas, Cinemais, Roxy, Cinesystem, Espaço Unibanco, GNC, Severiano Ribeiro, Playarte, Centerplex, UCI, Estação, Orient Filmes, Moviecom, Paris/Cineart, Fun, Majestic, nas cidades de:
Campinas, São Paulo, Jaboatão do Gaurarapes, João Pessoa, São Gonçalo, São Luiz, Anápolis, Cuiabá, Guaratinguetá, Manaus, Marília, Pato Minas, SJ do Rio Preto, Sertãozinho, Tangará da Serra, Uberaba, Uberlândia, Aracaju, Barueri, BH, Brasília, Campo Grande, Canoas, Curitiba, Florianópolis, Guarulhos, Jacarei, Natal, Niterói, Palmas, Porto Alegre, Ribeirão Preto, SB do Campo, SJ dos Campos, Santos, Salvador, São Caetano, Osasco, Taguatinga, Vitória, Goiânia, Belém, Blumenau, Caixas do Sul, Campo Grande, Alphaville, São Vicente, Cotia, Juiz de Fora, João Pessoa, Rio de Janeiro, Sorocaba, Novo Hamburgo, Bauru, Joinville, Tubarão, Fortaleza, Maceió, Nova Iguaçu, São João do Meriti, Jundiaí, Macapá, Feira de Santana, Juazeiro do Norte, Betim, Sete Lagoas, Caruaru.
A Mundo Maior da Fundação espírita André Luiz é Co-produtora, pois está auxiliando a divulgação em toda a sua mídia.
Essa é mais uma grande oportunidade de levarmos uma mensagem de esperança à todos aqueles que ainda necessitam despertar para a realidade espiritual. A arte, o entretenimento, é capaz de levar um grande número de pessoas à reflexão, convidando a trilhar novos caminhos, novas descobertas e a temática espírita e espiritualista veio para ficar !!

Area Q" é co-produzido pela Estação Luz Filmes que fez "Bezerra de Menezes, o Diário de um Espírito", "Chico Xavier", de Daniel Filho e " As Mães de Chico Xavier" . E mais: o "Area Q" também co- produzido pela Mundo Maior Filmes , da Fundação Espírita André Luiz, que realizou "O Filme dos Espíritos".

Como todos já sabem, é muito importante a lotação das salas de cinema nas primeiras semanas. A Reef Pictures, produtora do filme, diz que poderá distribuir o filme nos E.U.A se ele for um sucesso de público aqui no Brasil, com grande chance de chegar a outros países. A produção foi indicada a melhor filme no Los Angeles Brazilian Film Festival 2011.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Páscoa a Luz da Doutrina Espírita




Segundo a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, não há nenhuma espécie de culto a simbologias ou ritos. Por outro lado, para as sociedades, em grande parte marcadas na história pela vida de Cristo, o modus de vida se dá anualmente pelo calendário cristão, que demarca momentos de reflexão e pausa para amar ao próximo, como o Natal e a Páscoa.
Para a Doutrina Espírita, o verdadeiro espírita se reconhece "pela sua transformação moral e pelos esforços que empreende em domar suas más inclinações" (KARDEC, em O Evangelho Segundo o Espiritismo). É neste sentido, então, que se dá a compreensão de Páscoa: a busca pela Reforma Íntima, burilando o lado do homem velho que há dentro de cada um, para renascer um homem novo.
O sentido de renovação da Páscoa para os cristãos espíritas se concretiza na renovação de si mesmo, na melhoria íntima e evolução espiritual, sendo esta a única forma de transformação das relações humanas e da vivência mundana, levando-nos a atingir a verdadeira felicidade, através da Lei Divina da Evolução, à qual todos estamos fadados a seguir. Os símbolos do coelho, dos ovinhos de páscoa, o vinho, o peixe, são, à luz da Doutrina, apenas formas concretas e materializadas encontradas pelo homem para representar o seu desejo de vida, de renovação, de resignação e fé em Deus, nosso pai, e Cristo, nosso irmão, modelo e mestre.
No entanto, se essa foi uma forma que a humanidade encontrou de fazer uma pausa para reflexão acerca da moral de Jesus e de amar aos seus semelhantes... Pois que todos os dias possam ser de Páscoa e todas as religiões a preguem com a santidade que o seu verdadeiro significado merece. E, sobretudo, que todo indivíduo, filho de Deus que é, possa corresponder às oportunidades da reencarnação e de cada dia que lhe é concebido para transformar-se num homem novo, buscando compreender e seguir a moral cristã que nos foi ensinada pessoalmente por nosso irmão maior, concretizando-se em sua Lei de Amor.
Que desta forma todos possam receber nesta época, como em todas as outras, muita luz e muita paz de Jesus Cristo e de nosso Pai Celestial.

terça-feira, 3 de abril de 2012

“O bem deve ser compartilhado onde quer que estejamos”

A líder espírita fala sobre o movimento espírita em Ibitinga-SP, cidade conhecida como Capital Nacional do Bordado


Valdereis Lopes Teixeira de Godoy (foto), natural de Ibitinga, no interior do Estado de São Paulo, onde reside, é espírita de berço e uma liderança espírita reconhecida em sua cidade, que é conhecida como Capital Nacional do Bordado.
Professora aposentada, nossa confreira é vinculada ao Centro Espírita Francisco de Assis Amor e Caridade e a diversas instituições da cidade, como a Associação Filantrópica Espírita de Ibitinga – mais conhecida como Casa da Sopa –, o Berçário Maria de Nazareth, o Serviço de Obras Sociais, além de integrar o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Na entrevista que se segue, Valdereis fala
sobre o movimento espírita em sua cidade.

*

Como se chama a Instituição que a senhora dirige e quando foi ela fundada?

Chama-se Centro Espírita Francisco de Assis Amor e Caridade, fundado em 25 de novembro de 1929 por um grupo de pessoas liderado pelo senhor Antonio Ambrizi, do qual participaram, dentre outros, os confrades Gaudêncio de Camargo, Capitão Manoel de Carvalho e Antonio Generoso de Paula.

Situar-se numa cidade conhecida como a Capital do Bordado traz acréscimo ao movimento espírita na cidade?

Acreditamos que sim, pois, com muitas colocações materialistas, muitos procuram a Doutrina Espírita para sanar depressões, dúvidas e vazio existencial, além da busca da religiosidade raciocinada.

Qual o público médio nas reuniões?

Nas reuniões de fluidoterapia temos, como sempre, um público maior – entre 100 e 120 pessoas. Nas reuniões mediúnicas, grupos seletos e pequenos; e nas reuniões de estudo o número varia muito, porque isso depende da evolução de cada um.

O Centro promove cursos regulares?

Sim. Os cursos abrangem toda a obra da Codificação (O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Evangelho segundo Espiritismo; A Gênese; Céu e Inferno e Obras Póstumas). Também temos cursos de autoajuda como: “Prontidão para Mudança”, do livro de José Lázaro Boberg; “Atitudes Renovadas”, de Joanna de Ângelis e Divaldo P. Franco, e “Entrega-te a Deus”, também de Joanna de Ângelis e Divaldo P. Franco. Temos cursos na área de evangelização infantil e juvenil. Para 2012, estamos com uma proposta de 14 cursos, incluindo “Aprendizes do Evangelho”; Educação Espírita. Entendemos que o Centro Espírita é primeiro uma Escola, depois um Hospital.


Em face da integração da Casa com atividades educativas e de promoção humana realizadas no município, como isso influenciou nas atividades da instituição?

Influenciou de forma magnífica, pois o bem deve ser compartilhado onde quer que estejamos. Sentimo-nos feliz pelo respeito e apreço de todos os irmãos fraternos.


Atualmente a instituição promove vasta programação de palestras, com destaque para o aniversário anual em novembro. Quais os principais resultados sentidos dessa movimentação trazida para os frequentadores e trabalhadores da Casa?

Felizmente o Espiritismo esclarece, fortalece e ilumina. Fazemos sim palestras mensais com excelentes confrades que conseguem atingir a alma das criaturas, passando os ensinamentos doutrinários, bem como auxiliando na autoestima das pessoas e divulgando os benefícios da prática do bem. A frequência dos espíritas e simpatizantes varia entre 100 a 150 pessoas a cada encontro.


Quais suas atividades pessoais no âmbito da municipalidade?

Sempre tivemos, graças a Deus, o respeito e a credibilidade quanto aos trabalhos exercidos como professora, secretária de educação e de desenvolvimento social do município. Hoje trabalhamos com todas as casas adesas ao CEFAAC e ao Serviço de Obras Sociais.


Recentemente a senhora recebeu homenagem na Câmara Municipal, onde os ensinos espíritas e a figura exponencial de Jesus foram destacados em sua fala, com grande respeito pelo público. Como sentiu aquele momento?

Realmente, foi de extrema alegria para nós receber o título de “Mulher Ibitinguense 2010”, e na nossa fala ressaltamos todos os talentos que possuímos e devemos colocar em prática, baseando-nos na Parábola dos Talentos do amado Mestre Jesus.


De sua experiência de vida, na promoção humana e na atividade espírita, o que gostaria de destacar?


Gostaríamos de destacar o exemplo magnífico de nossos pais Joaquim Gonçalves Lopes e Genésia Beraldo Lopes, humildes e espíritas convictos, que foram a base de nossa formação. E também ressaltar a liberdade que sempre tivemos em todos os nossos afazeres, graças à compreensão e apoio de nosso marido Geraldo Teixeira de Godoy, com quem estamos unidos há 56 anos. Nossos amados filhos, genros, noras e netos muito contribuíram também para nossa alegria de viver.


Algo mais que gostaria de acrescentar?

Sim. Agradecer a Deus soberanamente bom e justo; a Jesus – Mestre, Modelo e Guia; ao Consolador Prometido e a todos que colaboram e colaboraram para nossa evolução espiritual, pois somos extremamente feliz e realizada.

quinta-feira, 29 de março de 2012

CONSCIÊNCIA DA GRATIDÃO

À medida que a psique desenvolve a consciência, fazendo-a superar os níveis primitivos recheados pela sombra, mais facilmente adquire a capacidade da gratidão.
A sombra, que resulta dos fenômenos egoicos, havendo acumulado interesses inferiores, é a grande adversária do sentimento de gratulação. Na sua ânsia de aparentar aquilo que não conquistou, impedida pelos hábitos enfermiços, projeta os conflitos nas demais pessoas, sem a lucidez necessária para confiar e servir. Servindo-se dos outros, supõe que assim fazem todos os demais, ante a impossibilidade de alargar a generosidade, que lhe facultaria o amadurecimento psicológico para a saudável convivência social, para o desenvolvimento interior dos valores nobres do amor e da solidariedade.
A miopia emocional defluente do predomínio da sombra no comportamento do ser humano impede-o que veja a harmonia existente na vida.
As imperfeições morais que não foram modificadas pelo processo da sua diluição e substituição pelas conquistas éticas atormentam o ser, fazendo-o refratário, senão hostil a todos os movimentos libertários.
Não há no seu emocional, em conseqüência, nenhum espaço para o louvor, o júbilo, a gratidão.
Desse modo, os conflitos que se originaram em outras existências e tornaram-se parte significativa do ego predominam no indivíduo inseguro e sofredor, que se refugia na autocompaixão ou na vingança, de forma que chame a atenção, que receba compensação narcisista, aplauso, preservando sempre suspeitas infundadas quanto à validade do que lhe é oferecido, pela consciência de saber que não é merecedor de tais tributos...
Acumuladas e preservadas as sensações que se converteram em emoções de suspeita em de ira, de descontentamento e amargura, projetam-nas nas demais pessoas, por não acreditar em lealdade, amor e abnegação.
Se alguém é dedicado ao bem na comunidade, é tido como dissimulador, porque essa seria a sua atitude (da sombra).
Se outrem reparte alegria e constrói solidariedade, a inveja que se lhe encontra arquivada no inconsciente acha meios de denominá-lo como bajulador e pusilânime, pois que, por sua vez, não conseguiria desempenhar as mesmas tarefas com naturalidade. A ausência de maturidade afetiva isola o indivíduo na amargura e na autopunição.
Tudo quanto lhe constitui impedimento mascara e transfere para os outros, assumindo postura crítica impiedosa, puritanismo exagerado, buscando sempre desconsiderar os comportamentos louváveis do próximo que lhe inspiram antipatia.
Assim age porque a sua é uma consciência adormecida, não habituada aos vôos expressivos da fraternidade e da compreensão, que somente se harmonizando com o grupo no qual vive é que poderá apresentar-se plena.
Autoconscientizando-se da sua estrutura emocional mediante o discernimento do dever, o que significa amadurecer, conseguirá realizar o parto libertador do ego, dele retirando as suas mazelas, lapidando as crostas externas qual ocorre com o diamante bruto que oculta o brilho das estrelas que se encontram no seu interior.
Urge, pois, adotar nova conduta para se libertar das fixações perversas. Conseguindo despertar dos valores nobres, é inevitável a saída da sua individualidade para a convivência com a coletividade, onde mais se aprimorará, aprendendo a conquistar emoções superiores que o enriquecerão de alegria e de paz, deslumbrando-se ante as bênçãos da vida que adornam tudo, assimilando-as em vez de reclamando sempre, pela impossibilidade de percebê-las.
O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos emocionais, sempre com a verruma da acusação ou da autojustificação assim como do mal-estar a que se agarra em seguro mecanismo de fuga da realidade.
Nos níveis nobres da consciência de si e da cósmica, a gratidão aureola-se de júbilos, e os sentimentos não mais permanecem adstritos ao eu, ao meu, ampliando-se ao nós, a mim e a você, a todos juntos.
A gratidão é a assinatura de deus colocada na Sua obra.
Quando se enraíza no sentimento humano logra proporcionar harmonia interna, liberação de conflitos, saúde emocional, por luzir como estrela na imensidão sideral...
Por extensão, aquele que se faz agradecido torna-se veículo do sublime autógrafo, assinalando a vida e a natureza com a presença dEle.
Quando o egoísta insensatamente aponta as tragédias do cotidiano, as aberrações que assolam a sociedade, somente observa o lado mau e negativo do mundo, está exumando os seus sentimentos inconscientes arquivados, vibrantes, sem a coragem de externá-los, de dar-lhes campo livre no consciente.
A paz de fora inicia-se no cerne de cada ser. Também assim é a gratidão. Ao invés do anseio de recebê-la, tornar-se-lhe o doador espontâneo e curar-se de todas as mazelas, ensejando harmonia generalizada.
A vida sem gratidão é estéril e vazia de significado existencial.
Joanna de Angelis (espírito), psicografia de Divaldo Franco.
Livro: Psicologia da Gratidão
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"Toda criatura humana é médium". Joanna de Ângelis (espíritos), psicografia de Divaldo Franco. Livro: Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda.
"Todo indivíduo é médium, e mediunidade não se desenvolve, se educa". J. Herculano Pires. Livro: O Centro Espírita
"A mediunidade apresenta variedades quase infinitas, desde as mais vulgares formas até as mais sublimes manifestações. Nunca é idêntica em dois indivíduos, e se diversifica segundo os caracteres e os temperamentos. Em um grau superior, é como uma centelha do céu a dissipar as humanas tristezas e esclarecer as obscuridades que nos envolvem.
A mediunidade de efeitos físicos é geralmente utilizada por Espíritos de ordem vulgar. Requer continuo e atento exame.
É pela mediunidade de efeitos INTELECTUAIS – inspiração escrita, inspiração falada ou oratória – que habitualmente nos são transmitidos os ensinos dos Espíritos elevados. Para produzir bons resultados, exige conhecimentos muito extensos. Quanto mais instruído e dotado de qualidades morais é o médium, maiores recursos facilita aos Espíritos. A boa mediunidade se forma lentamente, no estudo calmo, silencioso,
recolhido, longe dos prazeres mundanos e do tumulto das paixões. Depois de um período de preparação e expectativa, o médium colhe o fruto de seus perseverantes esforços; recebe dos Espíritos elevados à consagração de suas faculdades, amadurecidas no santuário de sua alma, ao abrigo das sugestões do orgulho. Se guarda em seu coração a pureza de ato e de intenção, virá, com a assistência de seus
guias, a se tornar cooperador utilíssimo na obra de regeneração que eles vêm realizando na Terra.
O importante para o médium, dissemos mais acima, é assegurar-se uma proteção eficaz. O auxílio do Alto é sempre proporcionado ao fim a que nos propomos, aos esforços que empregamos para o merecer. Somos auxiliados, amparados, conforme a importância das missões que nos incumbem, tendo-se em vista o interesse geral. Essas missões são acompanhadas de provas, de dificuldades inevitáveis, mas sempre reguladas conforme as nossas forças e aptidões. Desempenhadas com dedicação, com abnegação, as nossas tarefas nos elevam na hierarquia das almas. Negligenciadas, esquecidas, não realizadas, nos fazem retrotrair a escala de progresso. Todas acarretam responsabilidades.
Não há mais nobre, mais elevado cargo que ser chamado a propagar, sob a inspiração das potências invisíveis, a verdade pelo mundo, a fazer ouvir aos homens o atenuado eco dos divinos convites, incitando-os à luz e à perfeição. Tal é o papel
da alta mediunidade".

Léon Denis. Livro: No Invisível