domingo, 9 de dezembro de 2012

Raul Teixeira, um homem no mundo


 





 







José Raul Teixeira


Raul Teixeira, um homem no mundo
Guia espiritual de muitas e muitas pessoas, Raul Teixeira tem sido também um “protetor da codificação espírita”


Faz pouco mais de um ano que o confrade José Raul Teixeira sofreu um AVC e parece-me justo render uma homenagem a este valoroso trabalhador da doutrina espírita.
Fiquei pensando em como sintetizar a vida notável do amigo e confrade Raul Teixeira, e felizmente encontrei um texto recente de excelente qualidade, de autoria de Maria Helena Marcon, que foi publicado no jornal Mundo Espírita de agosto de 2012, em razão da homenagem prestada pela Federação Espírita do Paraná, de forma que tomo a liberdade de reproduzir esse texto, e, na sequência, acrescentarei outras informações sobre Raul Teixeira.
“Ele nasceu em Niterói-RJ, e sua trajetória de servidor do Cristo cedo se iniciou. Desde o dia em que adentrou a Mocidade Espírita do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, a convite do amigo José Luiz Vilaça e, por insistência da mãe daquele, não mais parou.
Era o dia 8 de abril de 1967, e Raul Teixeira tinha dezessete anos. A inspirada coordenadora da Mocidade, Cecília Einstoss, lhe fez uma pergunta a respeito da temática do dia: o grande legislador hebreu.

Raul, apaixonado que era pelo personagem, discorreu por uns vinte minutos a respeito. Iniciava ali a sua jornada de bênçãos.

A oratória logo se lhe desenvolveu e começaram as viagens, os convites, tantos que a agenda não mais comportava, sendo passados de um a outro ano.

Estudioso, fez da Codificação Espírita seu alicerce para a palavra e a escrita. Desenvolvendo-se-lhe a psicografia, esperou, paciente, a ordem espiritual para a publicação do seu primeiro livro, que foi editado em 1990. Um livro dedicado ao jovem, escrito por um jovem desencarnado, através de um jovem médium: Cântico da Juventude, de Ivan Albuquerque.

Hoje, as suas obras mediúnicas somam quase quatro dezenas, portando orientações para a madureza, os médiuns, os trabalhadores do Movimento Espírita, os jovens, a criança, o homem em geral, o cidadão.

Prosa, verso, assuntos diversos desfilam, reproduzindo o pensamento de Espíritos, como o benfeitor espiritual Camilo, Sebastião Lasneau, Thereza de Brito, Levy, Ivan de Albuquerque, Joanes, Francisco de Paula Vítor, Rosângela Costa Lima, Hans Swigg, José Lopes Neto, e sua própria mãe, desencarnada quando ele era menino, Benedita Maria.
“Sou um homem no mundo”, apenas isso, diz Raul
Uma particularidade tem a mediunidade de Raul: receber mensagens de Espíritos quase esquecidos do Movimento Espírita do Brasil e do Mundo, mas que foram e continuam sendo grandes trabalhadores. Raul os detecta e lhes traz as orientações, firmando-as no papel, em abençoado trabalho psicográfico.
Alguns desses registros, ocorridos ao ensejo das reuniões do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, em mais de uma oportunidade, emocionaram profundamente os que haviam tido a ventura de conviver com uma ou outra daquelas personalidades. E, então, teciam comentários a respeito do seu papel frente às lides espíritas, devotadas ao trabalho do Bem.

Raul é bastante reservado quando se trata de seus dados biográficos ou de lhe render homenagens. Um tanto difícil, quase, conseguir-lhe algumas informações.

Quero apenas ser um amigo das pessoas e ficaria muito feliz se me vissem assim –
disse certa vez a Cezar Said. E, logo adiante, definiu-se: Sou um homem no mundo e não pretendo outra coisa senão isso, continuar a ser um homem no mundo.

E assim é. Consciente do trabalho que realiza, há quarenta e cinco anos, fala a respeito dele sem falsa modéstia: trabalhador consciente do seu valor de divulgação e vivência dos postulados da Doutrina Espírita. Mas, quem possa ter a ventura de privar de alguns momentos a mais, com ele, logo verificará que não é alguém que somente fala a respeito de Espiritismo.

Comenta as notícias dos jornais quando tem tempo de lê-los, fala da MPB e da sua querida Elis Regina, das coisas dos trabalhos acadêmicos, de cinema, literatura, cultura geral, da sua família, da nossa, rindo das coisas risíveis, agindo, vivendo e se relacionando como qualquer mortal, ou melhor, “imortal”. (Raul, um homem no mundo, Cezar Braga Said, ed. Fráter.)

Raul estreitou laços com Yvonne do Amaral Pereira, com o médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro, Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco. Nesses dois últimos, em especial, buscou, mais de uma vez, no início das suas atividades, orientações para o direcionamento seguro das suas faculdades.

Em 1980, fundou a Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói, e, alargando os horizontes do atendimento aos necessitados, o Remanso Fraterno, na Várzea das Moças, bairro situado cerca de 25 km do centro de Niterói.
Há pouco mais de um ano, o grande testemunho
No mês de abril de 1986, em Mirassol d´Oeste, no Mato Grosso, Raul sofreu um acidente, no qual lhe foi revelado deveria ter perdido a vida. Contudo, por intercessão de sua mãe e de outros Benfeitores Espirituais, ele foi informado de que prosseguiria na carne, no trabalho a que se vinha devotando. Era a sua moratória.

Vinte e cinco anos passados, em 14 de novembro de 2011, Raul é convidado a outro grande testemunho (o texto original indicava a data de 16 de novembro, mas o próprio Raul afirmou que o AVC ocorreu de 14 para 15 de novembro – nota do autor). Em viagem internacional, com destino aos Estados Unidos, ainda em voo (quando sobrevoava o Brasil – nota do autor), ele sofre um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que lhe afeta a fala e o movimento do braço direito (Raul também acrescentou que ficou consciente, no avião, após o AVC, por sugestão do benfeitor Camilo, que lhe inspirava calma e paciência, pois se adormecesse poderia entrar em coma - Nota do autor.)

Ao chegar ao aeroporto JFK, em Nova Iorque, foi levado ao Jamaica Hospital Medical Center, próximo ao aeroporto, ali iniciando seu longo tratamento, tendo sido depois transferido, na sexta-feira (18 de novembro), para Hospital especializado no Estado de Connecticut.

Posteriormente, no final de semana de 17/18 de dezembro, retornou ao Brasil, indo direto para São Paulo, para prosseguir seu tratamento no Hospital Albert Einstein. Seu tratamento prossegue até os dias atuais, agora em sua cidade, Niterói. As mais recentes notícias nos informam que seu tratamento evolui muito bem. A fisioterapia é diária, e, a fonoaudiologia, três vezes por semana. A fala continua progredindo, de maneira animadora. O neurologista já identifica significativa melhoria nos movimentos do braço e da mão direita.

Por ora, sua rotina diária está concentrada no tratamento. Raul tem recebido convites para estar presente em várias homenagens que os confrades muito carinhosamente lhe oferecem, mas não tem condições de viajar e de interromper a rotina imposta pelo tratamento, que o leva, inclusive, a necessitar de repouso físico e mental.

Em todos esses meses, as notícias dos companheiros que convivem mais de perto com ele ou os que, de longas distâncias, se deslocam para visitá-lo têm sido no sentido de testificar o seu testemunho de verdadeiro espírita: excelente estado de espírito, mantendo seu habitual bom humor e jovialidade, a par de perseverança e dedicação ao tratamento, fielmente seguindo as orientações médicas.
Raul veio ao Paraná pela primeira vez em 1974
É a esse amigo que a Federação Espírita do Paraná deseja prestar homenagens, mais uma vez. Grande é a gratidão ao lhe recordar o quanto, particularmente, ofereceu ao Paraná Espírita.

Veio ao Paraná, por primeira vez, em 1974, mesmo ano em que o Espírito Camilo se lhe apresentou, afirmando que, doravante, estaria coordenando as suas atividades. Quando, em 1990, na Capital, após dezenove anos de interrupção, ressurgem as Confraternizações de Mocidades Espíritas, Raul é o coordenador da atividade, que se desenvolveu de 13 a 15 de abril.

Com o tema, Juventude e Espiritismo, cerca de duzentos e cinquenta participantes de todo o Estado integraram-se e se entregaram ao agradável evento. Foi o 1º Encontro Confraternativo de Juventudes Espíritas do Paraná, com realização prevista a cada dois anos, onde, em variadas oportunidades, Raul se fez presente.

Também com Raul Teixeira, se deu o 1º Encontro Estadual de Coordenadores de Juventudes Espíritas, nos dias 18 e 19 de março de 1995, em seguimento ao planejamento da FEP de ação dirigida especificamente aos jovens espíritas do Estado, prosseguindo a reprisar-se em todos os anos ímpares.

Tal como Divaldo, Raul esteve presente desde o 1º Simpósio Estadual de Espiritismo e a 1ª Conferência Estadual Espírita, acusando-se sua ausência, somente no ano em curso, em face de seu problema de saúde.

Também foi figura constante nos Encontros Estaduais Espíritas do Interior, nos Encontros de Dirigentes Espíritas - ENDESP e Encontro de Trabalhadores Espíritas - ENTRADESP.

Quantas mães o desejariam como filho, quantos jovens o almejariam como pai, quantos desejaríamos poder desfrutar de sua presença um tanto mais, trabalhar ao seu lado, na Seara Espírita. Mas o temos como o amigo e o conselheiro, o espírita convicto e devotado, que está dando o seu testemunho, dia a dia.

Por tudo isso, pelo que representa para os nossos corações, é que registramos a gratidão da Federativa, em seu 110º aniversário de fundação e o preito de amizade dos corações que o recordam, entre a saudade e o carinho de todas as horas, desejando vê-lo recuperado, feliz, sorrindo, entre nós.”

Fidelidade doutrinária sempre foi sua preocupação

Tive a feliz oportunidade de desfrutar de muitos momentos com Raul Teixeira, acompanhando-o em algumas palestras e quando ele se hospedava na casa de minha avó ou de meu pai, ao realizar palestras na região de Itapetininga-SP.
Testemunhei a jovialidade e a alegria exuberante de Raul, conforme citado no artigo acima, que chegava a me contagiar. Nos momentos de descontração havia tempo para conversas variadas, mas sem perder o equilíbrio e a sintonia com o bem.

A maior preocupação de Raul sempre foi a fidelidade doutrinária, tanto na sua divulgação, quanto na sua vivência. Inúmeras vezes ele externava sua preocupação com o desinteresse do público espírita em estudar, por facilitar a distorção dos princípios espíritas.

Assisti a inúmeras palestras de Raul, quando ele tinha a oportunidade de convidar o espírita ao estudo sério e profundo da codificação, bem como alertava-nos sobre a necessidade da própria conduta refletir as diretrizes do evangelho e do Espiritismo.

Gostaria, ainda, de destacar, sob o meu ponto de vista, a principal importância de Raul Teixeira para o movimento espírita, qual seja, a de não permitir que a pureza do conteúdo espírita seja contaminada por ideias pessoais de confrades e Espíritos sem compromisso com a verdade, “achismos” e modismos.

Por essa razão, os livros de Raul Teixeira são um manancial de lucidez e apontamentos espíritas, que merecem ser lidos e estudados.

Registro a forma pedagógica e coerente utilizada pelo Espírito Camilo, que é o guia espiritual de Raul, a nos facilitar sobremaneira o entendimento do tema abordado.

Quando interpelado ou consultado, Raul Teixeira não desperdiçava a oportunidade de retificar qualquer equívoco doutrinário ou de reforçar conceitos básicos do Espiritismo, sempre com o objetivo de preservar os preceitos espíritas conforme exarados na codificação de Allan Kardec.

Raul age dessa forma por amor ao ideal. Se prestássemos mais atenção aos apontamentos de Raul, certamente teríamos menos distorções na doutrina espírita, mas, infelizmente, vemos inúmeras ideias e inovações que vão se incorporando ao Espiritismo, algumas provenientes de obras mediúnicas de péssima qualidade, por isso e por outros fatos entendo que Raul Teixeira, como orador, médium (mediunidade que gerou mais de 30 livros) e cidadão, tem lugar de destaque no movimento espírita.

Numa entrevista que concedi a um confrade espírita, ao ser indagado sobre o que Raul Teixeira representava na minha vida, não tive dúvida e afirmei: “É o meu anjo da guarda encarnado”. Certamente, Raul Teixeira tem sido esse guia espiritual de muitas e muitas pessoas, bem como é um “protetor da codificação espírita”, não medindo esforços para preservar as verdades e a coerência da religião espírita.

Finalizo o artigo externando minha estima e gratidão a esse amigo incomparável, que aprendi a chamar de “Tio Raul”.
Nota do Editor:
Clicando neste link - http://www.youtube.com/watch?v=Oixtq2cMzhY - o leitor poderá ver a emoção com que Raul Teixeira agradeceu a homenagem que lhe foi prestada pela Federação Espírita do Paraná no dia 15 de novembro últim



domingo, 11 de novembro de 2012

REVERENCIANDO KARDEC

REVERENCIANDO KARDEC

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro “Doutrina de Luz”. Lição nº 07. Página 35.


Antes de Kardec, embora não nos faltasse a crença em Jesus, vivíamos na Terra atribulados por flagelos da mente, quais os que expomos

- o combate recíproco e incessante entre os discípulos do Evangelho

- o cárcere das interpretações literais

- o espírito de seita

- a intransigência delituosa

- o obsessão sem remédio

- o anátema nas áreas da filosofia e da ciência

- o cativeiro aos rituais

- a dependência quase absoluta dos templos de pedra para as tarefas da edificação íntima

- a preocupação de hegemonia religiosa

- a tirania do medo, ante as sombrias perspectivas do além-túmulo;

- o pavor da morte, por suposto fim da vida

Depois de Kardec, porém, com a fé raciocinada nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no Espiritismo Evangélico benefícios incalculáveis, como sejam

- a libertação das consciências

- a luz para o caminho espiritual

- a dignificação do serviço ao próximo

- o discernimento

- o livre acesso ao estudo da lei de causa e efeito, com a reencarnação explicando as origens do sofrimento e as desigualdades sociais

- o esclarecimento da mediunidade e a cura dos processos obsessivos

- a certeza da vida após a morte;

- o intercâmbio com os entes queridos domiciliados no Além

- a seara da esperança

- o clima da verdadeira compreensão humana

- o lar da fraternidade entre todas as criaturas

- a escola do Conhecimento Superior, desvendando as trilhas da evolução e a multiplicidade das “moradas” nos domínios do Universo

Jesus – o amor

Kardec – o raciocínio

Jesus – o Mestre

Kardec – o Apóstolo.

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ESPIRITISMO PRATICADO

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro “Nosso Livro”. Lição nº 36; Página 85.


Irmãos, recordando Allan Kardec, na prática espiritista, lembremo-nos de que, no Espiritismo praticado, é necessário

- Colocar os interesses divinos acima dos caprichos humanos.

- Negar-se a si mesmo, tomar a cruz da elevação e seguir com o Senhor.

- Reformar-se em Cristo, antes de reclamar a reforma dos outros.

- Exemplificar o bem, antes de ensiná-lo.

- Servir sem propósitos de recompensa

- Consolar, antes de procurar consolações

- Amar sem exigências

- Usar os bens do Pai, sem os desvarios da posse

- Compreender, antes de reclamar compreensão alheia

- Agradecer, antes de pedir

- Confiar sem angústias

- Cumprir todos os deveres da cooperação, sem as trevas da incompreensão e da queixa

Jesus é o Caminho, Verdade e Vida

Kardec é Trabalho, Solidariedade e Tolerância

O Caminho da realização não dispensa o trabalho

O templo da Verdade não exclui a solidariedade legítima

A Vida eterna pede a luz da tolerância construtiva

O Espiritismo em seu tríplice aspecto, científico, filosófico, religioso, é movimento libertador das consciências, mas só o Espiritismo praticado liberta a consciência de cada um

Lembrando o grande Missionário, não vos esqueçais de que o Espiritismo prático pode ser o Espiritismo do eu e que só o Espiritismo praticado é o Espiritismo de Deus.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Respondendo e Esclarecendo sobre a Prece

 


A prece deve ser dirigida a Jesus Cristo ou a Deus?

A prece, quando é anseio legítimo e impulso profundo da alma, vence as resistências naturais do envolvimento fluídico do globo e ascende a esferas altas, o quanto alcance, onde é recebida e analisada; e o atendimento se dará conforme o mérito e quando for julgado justo e não inconveniente ao progresso espiritual do solicitante; mas em todos os casos, sempre exite uma grande margem para a manifestação da misericórdia divina em benefício do necessitado.
Não importa, portanto, que seja dirigida a Deus, ou a deuses ou santos de outros credos.

Qual a diferença ente oração e prece?

Doutrinariamente há diferença entre oração e prece. A oração, entendida como prece pode, também ser uma prédica, um discurso, enquanto que prece é sempre uma ligação espiritual com o Alto ou com benfeitores espirituais.

Vibrações e preces são a mesma coisa?

Vibração, como doutrinariamente se define, é um ato mental e sentimental conjugados: o Espírito encarnado, pela ação da vontade, emite, através da mente, ondulações energéticas para benefício de determinada pessoa necessitada, em presença ou a distância. Nos casos de cura, por exemplo, a emissão é para socorrer doentes e necessitados em geral e, se for feita com amor e desejo firme de obter os resultados esperados, as ondulações vibratórias terão muito maior intensidade e os efeitos serão muito mais positivos.
Para isso, o Espírito doador movimenta os sentimentos que atingem o alvo na forma de calor e luminosidade, sendo os melhores possíveis, os resultados do atendimento.
Não confundir, porém, esse tipo de vibração com outra, material, mecânica como, por exemplo, a de uma cordea de violão que se distende e depois se solta fazendo vibrar o ar ambiente, produzindo som mais alto ou agudo, segundo a amplitude da distensão e a rapidez das oscilações da corda ao voltar a seu ponto de estabilidade anterior.
E quanto à prece, esta é também uma projeção mental e ao mesmo tempo um arroubo da alma, expressando um desejo, ou uma súplica que se dirige a poderes espirituais mais elevados e que, conforme sua intensidade e pureza, atinge regiões mais altas ou menos altas, na subida para sua meta.
Se a prece for simplesmente mecânica e não tiver vibração sentimental que baste, não conseguirá romper a massa escura e densa da atmosfera, não atingirá o alvo visado e não produzirá os efeitos que desejamos alcançar.

A Doutrina Espírita proíbe ajoelhar-se ao fazer prece?

Não há proibição mas, para fazer preces é indiferente a posição que se toma, os gestos que se fazem, porque a prece é um ato psíquico mental, não material.

Qual o valor das preces mortuárias?

Como o Espiritismo não tem ritos nem cerimônias, para a despedidad daqueles que se retiram da vida terrena, bastariam as vibrações e as preces em comum, caso desejem que sejam feitas. Mas estas terão valor muito relativo, porque o que vai ser de utilidade maior àquele que desencarne será a conduta que teve, os atos que praticou, a pureza dos sentimentos, não sendo necessário nem cabível a espíritas solicitar cerimônias mortuárias de outra religião, a não ser que desconheçam a Doutrina, ou sejam simples aderentes de superfície.
Que se pode tirar de utilidade em se fazer concentrações demoradas e preces mil vezes repetidas, mas em nada se vê alterar o procedimento?
Deus está em tudo, como um alento de vida, como o perfume em uma flor; tudo vê, tudo sente e tudo sabe. Nós somos uma partícula de Deus evoluindo na matéria e se, em nossas concentrações e preces, conseguirmos sintonizar com Ele, passaremos também a sentir e ver e saber muito mais além da nossa cegueira natural de seres encarnados e retardados.
A busca de Deus e a aproximação com Ele por meio da concentração e da prece, fugindo às neuroses e às maldades do mundo, somente nos engrandecem espiritualmente se formos sinceros, humildes e suficientemente penetrantes.
Tanto mais os seres humanos sintonizam com Deus, tanto mais capazes se tornarão de traduzir as Suas leis e interpretá-las aos semelhantes, agindo como mensageiros Seus, porta-vozes Seus.
Outra coisa a esclarecer é que a maior parte das preces visa pedir benefícios pessoais, ao invés de ter em vista sobretudo a comunhão com Ele e com nossos semelhantes em sentido universal.
E muitos fazem suas preces sem primeiramente limparem seu coração de suas maldades e suas mentes de seus pensamentos inferiores, muitas vezes maléficos ou egoístas. Que benefício esperam assim obter?
Edgard Armond, Respondendo e Esclarecendo – Editora Aliança

sexta-feira, 18 de maio de 2012


Por que reencarnamos?


Há tempos a humanidade vem se questionando por meio de cientistas e religiosos se o homem pode retornar ao corpo físico, reencarnar várias vezes com tarefas definidas e, com isso, transformar imperfeições em virtudes, reajustando a consciência em relação aos próprios atos falhos do passado.
Segundo o Espiritismo, na medida em que vamos conhecendo o estudo sobre a vida, aprendemos mais sobre a criação do espírito, as existências, os planetas e as condições de abrigo e sustentação para o crescimento moral de todo aquele que evolui de acordo com o próprio esforço e ação no bem.
Estudiosos da Doutrina Espírita ainda afirmam que a reencarnação do espírito se dá por meio de uma necessidade natural, em que após um período na erraticidade, ou seja, no plano espiritual, o espírito reencarnante se submete a novas experiências no plano físico, a fim de aprimorar o aprendizado do amor universal entre pessoas e situações para fortalece-lo no alcance deste objetivo.
Espíritas e espiritualistas revelam que Deus nos concede o esquecimento das vidas passadas para evitarmos conflitos indesejáveis, como por exemplo as acusações, fracassos e frustrações das quais passamos e que nos perseguiriam por todo o período reencarnatório com aqueles a quem prejudicamos, ou por quem fomos prejudicados de uma forma direta ou indireta.
Na obra "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec, capítulo VII – Retorno à vida corporal – Esquecimento do passado, encontramos mais esclarecimentos sobre a questão do esquecimento de vidas passadas na pergunta 393: “Como pode o Homem ser responsável por atos e resgatar faltas dos quais não se recorda? – Seria concebível que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, desde que não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim que ele está sempre a recomeçar."
As conclusões apresentadas pelos espíritas, conclamam que o ser reencarnado atende sua consciência no cumprimento do bem, por isso, aceita as dores de sua existência sem se entregar a elas, traçando um foco para o avanço moral / intelectual, entendendo que tudo faz parte de um planejamento que pode e deve ser melhorado por sua atitude.
No mesmo livro citado acima, encontramos um trecho que ressalta os benefícios da reencarnação no capítulo II – Encarnação dos Espíritos – Finalidade da encarnação, pergunta 132: “Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos? – Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição: para uns, é uma expiação; para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de por o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. É para executá-la que ele toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a material essencial do mesmo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também progredir”.
O Espírito de Verdade, responsável pela organização da obra O Livro dos Espíritos, em uma mensagem nesta mesma obra, ressalta a importância de refletir sobre a reencarnação e seus benefícios: “O Homem não pode permanecer perpetuamente na ignorância, porque deve chegar ao fim determinado pela providência; ele se esclarece pela própria força das circunstâncias. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram pouco a pouco nas ideias, germinam ao longo dos séculos e depois explodem subitamente, fazendo ruir os edifícios carcomidos do passado, que não se encontra mais de acordo com as necessidades novas e as novas aspirações". Espírito de Verdade – Livro dos Espíritos
O Espiritismo afirma que somos alunos da vida e que sempre haverá algo para aprender, conceitos a reaprender, informações a adquirir. Ressalta que estamos relacionados à lei do amor, transformando no presente, o passado de equívocos, em um futuro promissor de virtudes e conquistas, por meio das sucessivas existências que tivemos e que ainda teremos na aquisição da evolução do espírito.
Fonte: O Livro dos Espíritos por Allan Kardec

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Receita contra o egoísmo


Procure esquecer o lado escuro da personalidade do próximo.

Aprenda a ouvir com calma os longos apontamentos do seu irmão, sem o impulso de interromper-lhe a palavra.

Olvide a ilusão de que seus parentes são as melhores pessoas do mundo e de que a sua casa deve merecer privilégios especiais.

Não dispute a paternidade das idéias proveitosas, ainda mesmo que hajam atravessado o seu pensamento, de vez que a autoria de todos os serviços de elevação pertencem, em seus alicerces, a Jesus, nosso Mestre e Senhor.

Não cultive referências à sua própria pessoa, para que a vaidade não faça ninho em seu coração.

Escute com serenidade e silêncio as observações ásperas ou amargas dos seus superiores hierárquicos e auxilie, com calma e bondade, aos companheiros ou subalternos, quando estiverem tocados pela nuvem da perturbação.

Receba com carinho as pessoas neurastênicas ou desarvoradas, vacinando o seu fígado e a sua cabeça contra a intemperança mental.

Abandone a toda espécie de crítica, compreendendo que você poderia estar no banco da reprovação.

Habitue-se a respeitar as criaturas que adotem pontos de vista diferentes dos seus e que elegeram um gênero de felicidade diversa da sua, para viverem na Terra com o necessário equilíbrio.

Honre a caridade em sua própria casa, ajudando, em primeiro lugar, aos seus próprios familiares, através do rigoroso desempenho de suas obrigações, para que você esteja realmente habilitado a servir ao Mundo e à Humanidade, hoje e sempre.


André Luiz
(Do livro “Marcas do Caminho”, Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

ANENCEFALIA - Joanna de Angelis



Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia